Setembro Amarelo — Uma análise de suicídios no mundo

Estamos em setembro, que aqui no Brasil tem um significado bem grande nos últimos anos: o setembro amarelo, que é uma campanha de prevenção ao suicídio. Segundo a página sobre esse mês na Wikipédia, a campanha foi uma iniciativa do Centro de Valorização da Vida, do Conselho Federal de Medicina e da Associação Brasileira de Psiquiatria. Mas hoje não viemos falar do mês em si, mas sim de um banco de dados do Kaggle chamado Suicide Rates Overview 1985 to 2016. O criador deste banco juntou dados da OMS com os de outros datasets com o intuito de encontrar correlações entre taxas de suicídio de coortes diferentes através de todo o espectro socioeconômico.

Algumas coisas importantes de se apontar: os dados vão até 2016, e de alguns países vão no máximo até 2015. Outra coisa é que não são todos os países do mundo que estão representados no banco de dados.

Analisando o banco de dados e fazendo algumas pesquisas na internet, separei alguns países de interesse para a nossa análise: Brasil, Estados Unidos, Japão, Rússia, Lituânia, Guiana e França. O motivo dessas escolhas foi que a Lituânia, Guiana, Rússia, Japão e Coreia do Sul são países com taxas de suicídio altíssimas. Coloquei também o Brasil e os Estados Unidos para comparação.

Observando os gráficos abaixo, notamos alguns países em que a taxa vem aumentando e outros em que a taxa diminui. A Guiana, por exemplo é o país que atualmente tem a maior taxa de suicídio do mundo. Algumas causas para isso são a alta pobreza e qualidade de vida muito baixa. Porém, vemos com o exemplo da Lituânia, país com IDH e PIB per capita bem maior, com uma das melhores qualidades de vida do mundo com uma taxa absurda de suicídios por 100 mil habitantes. Ah, caso queira ver gráficos avaliando o PIB per capita desses países e também o IDH, cheque os anexos ao final desta publicação.

Também notamos que a taxa de suicídios no Brasil, apesar de ser bem baixa comparada com os outro países, vem crescendo.

O próximo gráfico compara o suicídio na Europa e na América. Nele, vemos que a Europa teve seu auge em 1995, e depois foi caindo. Já na América, desde o começo do banco de dados, o número de suicídio está sempre numa crescente.

Outra variável interessante que temos no banco de dados é a quantidade de suicídios por faixa etária. No gráfico abaixo, separamos cada faixa etária dividida em seis períodos de tempo diferente, separados por cor. Um pequeno problema do banco é a falta de uma regularidade no tamanho dos intervalos de idade, portanto recomendo observar os três primeiros grupos separadamente dos três últimos.

Vemos que na maior parte das faixas etárias (exceto 75+ years) o gráfico segue a mesma forma, variando apenas o período com maior número de ocorrências. A diferença entre o final da década de 80 e o começo da década de 90 é bem visível também.

O último gráfico que vou mostrar é talvez o mais preocupante, pois trata direto de nosso país. A taxa de suicídio vem crescendo muito. Teve alguns picos, porém não teve nenhuma queda muito acentuada. E é justamente por isso que a campanha do Setembro Amarelo foi criada. Não caia nos mitos clássicos sobre o suicídio! As pessoas que passam por pensamentos suicidas nunca estão querendo apenas chamar a atenção e uma situação dessas nunca acontece sem aviso. Os sinais estão por todos os lados. E, se você estiver pensando em alguma coisa desse tipo, busque ajuda. Falar é a melhor solução. No Brasil temos o Centro de Valorização da Vida, em que você pode conversar com um voluntário do CVV ligando para 188 de todo o território nacional, 24 horas todos os dias de forma gratuita.

Anexos

O período de tempo nesse gráfico é diferentes pois vem de outro banco de dados

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Texto por: Gustavo Leiva

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